li inúmeras vezes o que você escreveu, acho que só agora entendi. me perdi perigosamente em algumas palavras. replico:

estou certo de que é você mesmo que aparece para mim.











comi uma série de morangos e fiquei todo vermelho, parecia festa. meu coração saiu por aí todo animado,

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percebi que estava cansado. encostei a cabeça na janela do trem e dormi perigosamente [livre].

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faz frio, mas temos uma toalha xadrez. deito com o sol cobrindo tudo, você vem em seguida. coloca a cabeça sobre minha barriga. minha mão afunda nos seus cabelos.

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hoje (meio dormindo, meio acordado) pensei [livre] que poderia cuidar de você, levar as coisas para a cama, trazer de lá tudo o que posso. uma casinha lá longe no meio do mato, mas com os livros certos nas prateleiras. um bulê de ágata em cima do forno.

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faz tanto vento aqui, que até meus pensamentos estão sendo soprados para longe, mas você permanece.







se for inevitável, que seja então.



eu coloquei uma música aqui para tocar, é triste, está certo, mas é verdade que a escolhi pelo título. talvez não seja propriamente triste, talvez essa parte seja eu, mas não, não estou sabendo dizer o que quero dizer, porque é bastante claro e confuso. claro na sensação e confuso na exteriorização disso, isso porque, talvez não haja, não não há, não haja não há o que se possa dizer [às vezes] claramente o que se sente.

até aquele último momento - o do ônibus amarelo indo embora - eu ri das suas piadas. é que eu acho tudo graça. do seu nariz felino.fellini. até o apelido adolescente. estou desvendado, falei tudo, falei demais. sou prolixo, sou piegas e mais mil e uma.

até aquele último momento - o do ônibus amarelo indo embora - eu não sabia que chegaria aqui, agora, e escutaria essa música [acho estranho quem fala canção]: somewhere not here [alpha].

tapei um dos olhos com uma das mãos.
dentro do avião, berlim estava há 2 horas de casa.
não sei porque eu lembro de ginsberg - cansado e carente amigo de guerra - falando de transatlânticos e morrendo de saudades de alguém que estava longe, talvez em nova iorque, algo assim, não me lembro. eu gosto de falar de memórias. ontem reviraram os albúns de fotografias, meus avós nos anos 50 sorrindo em frente ao fundo falso. meu avô, agora morto, com pretensões de noivado. uma câmera fotográfica novinha-em-folha da kodak (eu a tenho desmanchando em minhas mãos agora mesmo).
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revelei umas fotografias novas, as tirei em 1950 ou 51, não me lembro. a dona da fotótica quis vê-las e já haviam passado quase 60 anos. minha mãe não quis vê-las, não hoje, não amanhã. - muito bonitos, muito bonitos os seus avós. ainda vivem? - disse a dona. e como não viveriam? eu me pergunto. - Sim, vivem! Não, meu avô morreu. Há algum tempo morreu e hoje eu pensei nele quase que o dia inteiro.

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ser frágil não é ser nuvem.


eu gosto que você não deixa espaço para comentar. eu não respondo nada, mas você sabe de tudo, o tempo inteiro você sabe. eu gosto de quem sabe até demais.

é difícil acordar quando estou só na cama, só no quarto e até só numa cidade inteira.
o SÓ é desse nosso jeito, você deve saber disso também.

fazia tempo que eu não escrevia para alguém, não pensava em alguém o tempo inteiro, na cozinha, na sala, na rua e no carro-ônibus.
sinto que eu ainda vou dar um jeito nisso tudo e sair rindo por aí. vou entrar na minha nave e te pegar em 15 minutos.

Cuello.
















estou deitado na sua cama, você vem que nem gato manhoso dizendo que gosta de piano elétrico. gosta nada, você gosta é de mim.
o japonês disse que queria ouvir novamente aquela canção russa, mas o disco havia partido em dois. eu disse: - canta para mim! ele cantou. era a katchuska. eu sou russa, não sei se o senhor sabe, pois sim, sou. eu fiquei de arrumar um disco novo para ele. que coisa mais estranha um japonês gostar de música russa, não é mesmo? É, É, sim. o monitor do meu computador tem 22 polegadas e meu celular tem 2 chips. o mundo é para nós, é o que dizem, não é? É, É, sim.

nenhum notícia. apenas o som do mar que não vi.



"De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
"

s. de mello breyner andresen